Sorvo o contorno das palavras como quem delineia a epiderme, Meus dedos, audazes, decifram a sintaxe de um corpo gestual. Cada fonema sussurra um idílio, um espasmo que me fustiga e concerne; Confesso, sou refém desse vício textual, dessa luxúria verbal. A Poesia me surge como uma deusa helênica, altiva e nua, De silhueta escultural, inteligência felina e magnetismo pagão. Seus cabelos, como a crina de uma ninfa sob a lua, Ondulam ao vento, acendendo em meus olhos a mais cruenta tentação. Consumo com ela o mais profano dos cultos carnais: Minha pena, rígida, penetra a alvura do pergaminho que cede, Vertendo a tinta densa, o fluido dos nossos ritos vitais, Culminando em um gozo mútuo que nenhuma métrica impede. Sou o escravo submisso desse tálamo de papel e paixão!
Você caminha até a estante da sua mente, onde repousam os desejos mais guardados. Seus dedos deslizam pela lombada de um livro encapado em seda — aquele que traz o seu nome e todas as suas verdades. Você o retira, sente o peso, o calor. É hora da leitura. O Prelúdio Você se deita, e o livro se abre. As páginas começam a sussurrar sob suas mãos. Seus dedos, como a ponta de uma pena, percorrem a capa, descendo lentamente até encontrarem o corte da lombada. Ali, a pele é sensível, o papel é fino. O toque é investigativo, um roçar leve que faz a espinha vibrar, preparando a trama para o que virá. A Trama se Intensifica A leitura ganha ritmo. Outra mão sobe para acariciar os seios, como se estivesse abrindo as páginas de um capítulo proibido. A ponta dos dedos circula os mamilos, mapeando parágrafos de arrepios, fazendo com que se tornem firmes, como palavras destacadas em negrito. A respiração se torna...